sábado, 19 de julho de 2014

Distribuição de Cestas básicas emergenciais: características gerais

  Na última postagem, falou-se um pouco sobre o Programa Fome Zero(PFZ), mostrando as intenções do programa dentro da ideia de segurança alimentar e citando algumas de suas medidas. Nessa postagem, será esclarecido um pouco melhor uma dessas medidas, acompanhando esse esclarecimento com reflexões sobre o PFZ.
  A distribuição de cestas básicas é uma medida adotada para ajudar as comunidades carentes em várias situações: casos de acidentes geográficos, casos de insegurança alimentar, casos de fome e miséria. Mas o que seria uma cesta básica? OBS: Para fins didáticos, vamos trabalhar apenas com a parte dos alimentos da cesta básica e as reflexões da postagem serão feitas com base na cesta básica nacional (padrão).
  A cesta básica é um conjunto de produtos de gêneros alimentícios, produtos de higiene pessoal e de limpeza que são distribuídos. Como pode-se ver na imagem acima, a constituição da cesta básica varia de região para região dentro de um país e, também, varia de país para país, de acordo com a cultura e necessidades do lugar. Observando a imagem pode-se ver que existe uma cesta básica nacional. Mas, se a constituição varia qual o sentido de existir uma cesta básica nacional? Na verdade, a cesta básica nacional é um conceito abstrato, que mede se o poder de compra do salário mínimo consegue suprir as necessidades alimentares básicas de uma pessoa durante um mês. Sendo assim, pode-se observar a importância de comparar o salário mínimo com o custo da cesta básica e ver se é possível ou não que uma família possa adquirir aqueles produtos.
  Mas será que essa cesta básica consegue realmente suprir a necessidade nutricional de uma família durante um mês, fornecendo assim segurança alimentar? De acordo com as postagens anteriores, a pessoa precisa de certos macro e micronutrientes para ser saudável. Desse modo, a cesta básica seria adequada para alimentar uma família?
 Pesquisa: (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101998000100004)
 De acordo com pesquisas a cesta básica não seria capaz de nutrir uma família, uma vez que não haveria como fornecer todos os nutrientes necessários. Segundo a pesquisa, a baixa disponibilidade e variedade de frutas e vegetais seria responsável pela carência de algumas vitaminas e sais minerais. Além disso, a cesta básica ofereceria um teor de lipídios acima do necessário, contribuindo para problemas como obesidade. Por fim, a cesta básica não consegue suprir a necessidade de iodo, fato que pode desencadear o surgimento da doença Bócio.
 Diante dessa situação, algumas reflexões podem ser feitas: como uma cesta básica que deveria ser referência para o salário mínimo de forma a garantir uma nutrição básica à população pode ser deficiente nutricionalmente? A própria lei brasileira exige que haja a adição de iodo ao sal de cozinha, sendo assim o sal de cozinha é um gênero alimentício reconhecidamente importante. Como esse gênero alimentício pode ser ausente na cesta básica?
  Portanto, apesar de a iniciativa de distribuição de cesta básicas ser viável para o objetivo do PFZ, a realização atual dessa medida encontra-se com falhas que precisam ser corrigidas. Para os leitores do blog eu pergunto agora: como pode-se corrigir essas falhas?
  Na próxima postagem, será explicado as características do Bolsa-família e será feita uma relação entre esse programa e a distribuição de cestas básicas. Perguntas sobre o assunto e respostas sobre as reflexões da postagem podem ser feitas nos comentários.


Fontes: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-produtos-compoem-a-cesta-basica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cesta_b%C3%A1sica
http://www.dieese.org.br/metodologia/metodologiaCestaBasica.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101998000100004

8 comentários:

  1. A cesta básica não cosengue suprir as deficiências de iodo, de fato, mas o custo do sal iodado é extremamente baixo e, culturalmente, ão se cozinham os alimentos da cesta básica sem o uso de sal iodado. Desse modo , penso que a deficiência de iodo na cesta básica é irrelevante. Quanto o excesso de lipídios, isso é realmente algo a se preocupar, o certo seria utilizar carnes não tão ricas em gordura para constituir a cesta básica. Isso deixa mais evidente o porquê da população mais carente do brasil enfrentar problemas de obesidade

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  2. Realmente, analisando os componentes da cesta básica, observa-se uma grande quantidade de alimentos ricos em carboidratos e lipídeos, quando comparado com a quantidade de alimentos proteicos. Isso deve passar por uma reformulação, visto que a ingestão de proteínas em quantidades suficientemente aceitáveis para o organismo é de extrema importância, uma vez que não possuímos reserva de proteínas (possuímos os músculos, mas são proteínas funcionais) e também porque, para que haja a síntese de outros compostos que o organismo humano necessita, as proteínas são fundamentais. Dessa forma, além de promover uma maior ação contra a subnutrição, é possível garantir melhor condição de vida. Toda essa evolução alimentar deve ser acompanhada de uma “evolução educacional”, uma vez que as pessoas devem saber quais são os nutrientes necessários para garantir uma boa saúde e evitar preocupações futuras, tanto por parte do indivíduo em si quanto do Estado.

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  3. Outro argumento que pesa para a reformulação da cesta básica é o fato dessas cestas seres distribuídas mensalmente. o que poderia resultar no apodrecimento de alimentos não perecíveis, como frutas. Sendo assim, suponho que seria mais conveniente diminuir os prazos entre a distribuição das cestas.

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  4. A análise nutricional da cesta básica demonstra uma desordem nos valores encontrados na concentração de gorduras totais e saturadas, que se encontram em excesso. Além de uma insuficiência na adequação em relação às fibras, pois encontram-se em um índice menor que o recomendado, devido a pouca ingestão oferecida na cesta básica.
    Percebe-se também que o teor de carboidrato, proteína e sódio encontra-se em um índice maior que o recomendado. Em relação ao consumo médio de leite e produtos lácteos, verificou-se que este encontra-se abaixo da porção recomendada, sendo assim, a ingestão insuficiente destes produtos pode acarretar em danos à saúde ao longo da vida. A partir desses dados, nota-se a dificuldade da família brasileira de baixa renda para ter uma alimentação adequada em valores nutricionais.

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  5. Considero estranho e desnecessário a inclusão de café na cesta básica. É importante saber dos diversos malefícios de consumir esse produto, dentre eles: a cafeína é um grande indutor da osteoporose, que causa a perda significativa de cálcio nos ossos, pois a cafeína compete com a vitamina C e o Ferro, podendo anular esses nutrientes; pode causar sinais perceptíveis de confusão mental e indução de erros em tarefas intelectuais, ansiedade, nervosismo, tremores musculares, taquicardia e zumbido. Importante ressaltar que suspensão súbita de cafeína, mesmo que em doses moderadas pode levar à abstinência, causando depressão, naúseas, vômitos, cefaléia e diminuição da concentração; as queixas de cefaléia e ansiedade crescem com o aumento da dose diária de ingestão de caféina, mesmo que não interfira no tempo de sono, a cafeína atrapalha sua qualidade. Além disso seu valor nutricional não é tão alto quanto de outros alimentos que poderiam ter sidos inclusos na cesta básica, como mais frutas.

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  6. Análise de alguns alimentos da cesta: Carne e leite são os grandes provedores de proteínas. Esse nutriente ajuda a formar e a manter os músculos, os ossos, o sangue, os órgãos internos, a pele e o cérebro. Tudo porque as proteínas são essenciais para construir novas células, promovendo o crescimento e aumentando a resistência do organismo às doenças; Na cesta básica, a mistura mais popular da alimentação brasileira tem como função primordial fornecer carboidratos, os "combustíveis" que mandam energia para o organismo; O óleo e a manteiga, principais produtos industrializados da cesta, não são só fonte de gordura. A função nutricional deles é nobre: eles transportam as vitaminas A, D, E e K por todo o corpo, protegendo os órgãos vitais e o organismo contra a perda excessiva de calor; Essa classe de alimentos ajuda a suprir a necessidade que o organismo tem de fibras. O sistema digestivo agradece: as fibras, apesar de não possuírem valor nutritivo ou energético, tornam a absorção da comida mais fácil e completa.

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  7. A produção agropecuária brasileira segue uma divisão de mercados entre bens de exportação e bens de abastecimento interno. O sistema implantado ampliou o diferencial de renda e riqueza no campo, uma vez que os ganhos financeiros provenientes do mercado externo cresceram a taxas superiores às remunerações auferidas pelos produtores de alimentos destinados ao abastecimento interno. O caráter extensivo das explorações caracteriza a evolução da agricultura do país, privilegiando a valorização patrimonial ao invés da rentabilidade derivada da produção corrente, criando-se uma barreira financeira aos investimentos no processo produtivo. Este critério orientou desde então o valor do salário mínimo, o qual deveria garantir a compra da cesta básica, desde que não ultrapasse o percentual de 20%, a defasagem do salário com relação a despesas com alimentação, ou seja: o salário vigente não dá sequer para comprar essa ração essencial para o trabalhador, tampouco garantir as outras despesas correntes para ele e sua família.

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