sábado, 2 de agosto de 2014

Programa Fome Zero: Análise final e encerramento do blog

 Finalizando o estudo iniciado em postagens anteriores, hoje será feito uma análise final do Programa Fome Zero (PFZ). Como já foi exposto, muitas medidas do PFZ tiveram seus impactos positivos e ainda hoje estão em vigor. Nessa última postagem, será tratado de mais uma dessas medidas: o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar.
  Esse programa consiste na compra de alimentos produzidos em agriculturas familiares por parte do governo. O preço da compra é baseado no próprio preço regional do produto, garantindo assim que não haja prejuízos no mercado. Além disso, a compra serve como uma forma de incentivar o pequeno agricultor a continuar sua produção e sentir-se menos oprimido frente aos grandes agricultores, uma vez que a produção familiar ajuda no abastecimento local e é a fonte de sustento de inúmeras famílias.
  Somado ao benefício de ajuda das famílias, o próprio programa Fome Zero tira vantagens dessa compra, pois os alimentos adquiridos serão usado para viabilizar a execução de várias outras medidas do PFZ. Exemplos disso são a distribuição de cestas básicas emergenciais, o programa de merenda escolar, o programa de Banco de Alimentos, os restaurantes populares. Todos esses exemplos citados participam do PFZ e podem ter seus alimentos abastecidos através da compra de gêneros da agricultura familiar.
  Por fim, o programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar possui uma ação para obter leite de cabra e de vaca provenientes de pequenos produtores para posterior distribuição desse produto para regiões carentes, priorizando a ingestão do leite para crianças.Junto com essa distribuição, são realizadas ações de assistência técnica e vacinação no rebanho dos produtores. Os beneficiários também recebem outros apoios: as gestantes que recebem o litro de leite diário passam por exame-pré-natal; as crianças precisam ter a carteira de vacinação em dia e serem registradas; e os pais são direcionados para cursos de alfabetização ou de Educação de Jovens e Adultos, conforme a necessidade. Dessa forma, o programa continua incentivando a produção familiar e ajuda a população brasileira a melhorar a sua segurança alimentar e a condição social da população.

  Finaliza-se aqui a última postagem do blog. O blog teve como objetivo mostrar os principais aspectos da segurança alimentar no Brasil e relacionar o assunto com a bioquímica. Dentro de um mês, aproximadamente, voltarei com mais um blog e um novo assunto, mas sempre com o objetivo de expandir o conhecimento dos leitores!

sábado, 26 de julho de 2014

Bolsa-família: reflexões sobre o Programa Fome-Zero (PFZ)

 Continuando a abordagem do Programa Fome Zero iniciada em postagens anteriores, agora será tratado sobre alguns aspectos do Bolsa-Família, tais como sua origem e características principais.O Programa Bolsa-Família surgiu em outubro de 2003 a partir da unificação de quatro programas de transferência de renda, já citados anteriormente nas postagens do blog, do governo federal - Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Auxílio-Gás e Cartão-Alimentação.
 Como já foi trabalhado, programas de transferência de renda tem como objetivo fazer a transferência direta de dinheiro para beneficiários do programa a partir da realização de uma série de exigências. No caso do Bolsa-Família, essas exigências eram a comprovação da presença dos filhos nas escolas, a caderneta de vacina dos filhos atualizada e o comparecimento periódico dos filhos em postos de saúde. Cumpridas as exigências, o responsável por receber o benefício do programa recebe uma renda, que em 2003 variava entre R$ 15,00 e R$ 95,00 para famílias com renda per capita menor do que R$ 100,00, para ser utilizada no sustento da família: alimentação, higiene, lazer, entre outros.
  Com base na postagem anterior sobre a distribuição de cestas básicas, pode-se levantar o seguinte questionamento: 
        Qual seria a medida mais viável: distribuir o alimento e produtos de higiene em si, através da cesta básica, ou fornecer o dinheiro para as famílias comprarem esses produtos?

 Para nortear essa reflexão, alguns pontos devem ser levantados:

  • A influência da mídia sobre o poder de compra das pessoas pode influenciar muito na escolha dos alimentos, fazendo com que muitas famílias não tenham uma nutrição correta. Isso, pode ser visto através de inúmeras propagandas que tentam vender produtos com alto teor de lipídios e carboidratos que, sozinhos, não conseguem atender as necessidades nutricionais de uma pessoa, como mostra o esquema abaixo: 

  No esquema, pode ser visto que se tivermos um alimento baseado apenas em lipídios e carboidratos, não conseguiremos sintetizar todos os aminoácidos necessários, uma vez que existem aqueles aminoácidos que só podem ser obtidos pela ingestão de proteínas dos alimentos - os chamados aminoácidos essenciais. Com base nisso, não conseguiríamos sintetizar proteínas; fato que acarretaria em uma série de problemas. 
  • A cesta básica, como já visto na postagem anterior, possui seus defeitos e carências. Resta fazer um balanço entre suas vantagens e desvantagens para entender até que ponto a cesta básica é viável.
  • O que seria mais expressivo em um modelo capitalista: fornecer recurso monetário para a população, subindo assim a classe social de inúmeras pessoas, ou fornecer diretamente o alimento que a população necessita?
Com base nesses pontos, gostaria que os leitores do blog respondessem a sua opinião nos comentários do blog. Além disso, sugestões e dúvidas também podem ser feitas nos comentários.

Fontes: http://bolsa-familia.info/mos/view/Fome_Zero/
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/view/1014/794

sábado, 19 de julho de 2014

Distribuição de Cestas básicas emergenciais: características gerais

  Na última postagem, falou-se um pouco sobre o Programa Fome Zero(PFZ), mostrando as intenções do programa dentro da ideia de segurança alimentar e citando algumas de suas medidas. Nessa postagem, será esclarecido um pouco melhor uma dessas medidas, acompanhando esse esclarecimento com reflexões sobre o PFZ.
  A distribuição de cestas básicas é uma medida adotada para ajudar as comunidades carentes em várias situações: casos de acidentes geográficos, casos de insegurança alimentar, casos de fome e miséria. Mas o que seria uma cesta básica? OBS: Para fins didáticos, vamos trabalhar apenas com a parte dos alimentos da cesta básica e as reflexões da postagem serão feitas com base na cesta básica nacional (padrão).
  A cesta básica é um conjunto de produtos de gêneros alimentícios, produtos de higiene pessoal e de limpeza que são distribuídos. Como pode-se ver na imagem acima, a constituição da cesta básica varia de região para região dentro de um país e, também, varia de país para país, de acordo com a cultura e necessidades do lugar. Observando a imagem pode-se ver que existe uma cesta básica nacional. Mas, se a constituição varia qual o sentido de existir uma cesta básica nacional? Na verdade, a cesta básica nacional é um conceito abstrato, que mede se o poder de compra do salário mínimo consegue suprir as necessidades alimentares básicas de uma pessoa durante um mês. Sendo assim, pode-se observar a importância de comparar o salário mínimo com o custo da cesta básica e ver se é possível ou não que uma família possa adquirir aqueles produtos.
  Mas será que essa cesta básica consegue realmente suprir a necessidade nutricional de uma família durante um mês, fornecendo assim segurança alimentar? De acordo com as postagens anteriores, a pessoa precisa de certos macro e micronutrientes para ser saudável. Desse modo, a cesta básica seria adequada para alimentar uma família?
 Pesquisa: (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101998000100004)
 De acordo com pesquisas a cesta básica não seria capaz de nutrir uma família, uma vez que não haveria como fornecer todos os nutrientes necessários. Segundo a pesquisa, a baixa disponibilidade e variedade de frutas e vegetais seria responsável pela carência de algumas vitaminas e sais minerais. Além disso, a cesta básica ofereceria um teor de lipídios acima do necessário, contribuindo para problemas como obesidade. Por fim, a cesta básica não consegue suprir a necessidade de iodo, fato que pode desencadear o surgimento da doença Bócio.
 Diante dessa situação, algumas reflexões podem ser feitas: como uma cesta básica que deveria ser referência para o salário mínimo de forma a garantir uma nutrição básica à população pode ser deficiente nutricionalmente? A própria lei brasileira exige que haja a adição de iodo ao sal de cozinha, sendo assim o sal de cozinha é um gênero alimentício reconhecidamente importante. Como esse gênero alimentício pode ser ausente na cesta básica?
  Portanto, apesar de a iniciativa de distribuição de cesta básicas ser viável para o objetivo do PFZ, a realização atual dessa medida encontra-se com falhas que precisam ser corrigidas. Para os leitores do blog eu pergunto agora: como pode-se corrigir essas falhas?
  Na próxima postagem, será explicado as características do Bolsa-família e será feita uma relação entre esse programa e a distribuição de cestas básicas. Perguntas sobre o assunto e respostas sobre as reflexões da postagem podem ser feitas nos comentários.


Fontes: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-produtos-compoem-a-cesta-basica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cesta_b%C3%A1sica
http://www.dieese.org.br/metodologia/metodologiaCestaBasica.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101998000100004

sábado, 5 de julho de 2014

Estudo das políticas de Segurança Alimentar - Programa Fome Zero

 Com base na postagem anterior, sabemos agora o que é preciso, nutricionalmente, para manter uma pessoa saudável. Várias tentativas de tornar plena essa saúde na população brasileira foram feitas e daí surgiram inúmeras políticas de segurança alimentar. A próximas postagens tem como objetivo, portanto, fazer uma análise de várias dessas políticas, esclarecendo pontos positivos e negativos, bem como relacionar essas políticas com a bioquímica.
  A primeira política a ser tratada é a Política de Segurança Alimentar Fome Zero (PFZ). O programa foi lançado em 2003 pelo recém eleito presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, e foi um dos programas que tentou tratar o combate à fome com base nas ideias de segurança alimentar previstas na lei. Sendo assim, os principais objetivos do PFZ eram fornecer quantidade, qualidade e regularidade de alimentos a todos os brasileiros, bem como a tomada de ações para promover produção e distribuição de alimentos de qualidade em base sustentável, além de promover a inclusão social, educação alimentar e nutricional.
  Para exercer essa ideia, o programa contou com uma implantação gradual de medidas que visavam combater a fome em si e as suas causas estruturais. Algumas dessas medidas são: Programa Nacional de Bancos de Alimentos (ações de apoio e incentivo para a doação de alimentos, objetivando formar uma reserva de alimentos); Programa de restaurantes populares (restaurantes a preços acessíveis aos trabalhadores); Cartão Alimentação (benefício de transferência de renda para ser gasto com a alimentação); Programa de Educação Nutricional e Alimentar (tentativa de melhorar os hábitos de consumo através de meios de comunicação como o rádio, a televisão, os jornais); Programa de Distribuição de Cestas Básicas Emergenciais (para famílias que preferem a cesta básica ao invés do cartão alimentação, para famílias com grande grau de insegurança alimentar, para pessoas sob a ameaça dos perigos alimentares); distribuição de cartilhas contendo informações sobre o PFZ; programas de geração de emprego e de superação do analfabetismo.

  


  No entanto, no começo do projeto-piloto já se encontravam muitas divergências no programa em relação ao que foi proposto e ao que estava sendo implementado. O programa não estava realizando de maneira efetiva as suas medidas estruturais, isto é, estava apenas tentando combater a fome atual sem se preocupar com as verdadeiras causas que geram o problema. Sendo assim, a fome podia até diminuir em um primeiro momento, mas era uma situação que voltaria a se mostrar na população já que não se combatia as suas causas estruturais. Além disso, havia uma elevada burocratização para o recebimento de benefícios como o cartão alimentação e, mais ainda, o benefício do cartão alimentação, que deveria variar de 50,00 a 250,00 R$, não passava de cinquenta reais. A partir daí, começaram a surgir as primeiras críticas ao programa e começou-se a questionar a eficiência do PFZ e se a ação seria apenas uma jogada política para conseguir votos e apoio da sociedade.


 Apesar das críticas, o Programa Fome Zero foi uma das grandes iniciativas de aliar o combate à fome com a segurança alimentar. Muitas medidas tiveram seus impactos positivos e existem até hoje. Algumas dessas medidas são: ampliação da merenda escolar, distribuição de cestas básicas emergenciais, Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, Bolsa-família.




  Nas próximas postagens será dado continuidade ao estudo dessas últimas medidas citadas, especialmente, o bolsa-família e a distribuição de cestas básicas, fazendo um paralelo entre as duas. Dúvidas e opiniões sobre o assunto podem ser colocadas nos comentários. Alguns questionamentos reflexivos para nortear os comentários são: você é contra o programa Fome-Zero? Qual a influência do programa na situação da população? 

Fontes: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/view/1014/794
http://bolsa-familia.info/mos/view/Fome_Zero/

domingo, 29 de junho de 2014

Um novo tratamento para a Segurança Alimentar - Nutrientes da alimentação

  Nas últimas postagens, trabalhou-se o conceito atual, previsto legalmente, de segurança alimentar:  a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis. A partir desse conceito, focou-se o assunto sob a ótica de uma segurança alimentar voltada para um conjunto de normas de produção, transporte e armazenamento de alimentos visando determinadas características físico-químicas, microbiológicas e sensoriais padronizadas, segundo as quais os alimentos seriam adequados ao consumo. Com isso, explicou-se as influências dos perigos durante o processo de fabricação e fornecimento de alimentos de qualidade para a população.
   A partir de agora, o foco será na visão da segurança alimentar como o estado existente quando todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso físico e econômico a uma alimentação que seja suficiente, segura, nutritiva e que atenda a necessidades nutricionais e preferências alimentares, de modo a propiciar vida ativa e saudável, conceito adotado pela Organização das nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e que está relacionado com os conceitos trabalhados anteriormente.
  Com base no exposto, a visão da segurança alimentar está profundamente relacionada com políticas públicas que visam acabar com problemas sociais como a fome, a desnutrição e a miséria, uma vez que esses são alguns dos principais fatores que provocam a insegurança alimentar numa sociedade. Mas, antes de tratar a questão política, será esclarecido o que o nosso corpo precisa buscar nos alimentos, isto é, como devemos nos alimentar para nutrir-se de maneira correta e com qualidade e, assim, atender à nova visão de segurança alimentar.
  • Quais os nutrientes necessários para uma alimentação saudável? 
Podemos classificar os nutrientes em dois grandes grupos: os macronutrientes e os micronutrientes. Dentre os macronutrientes tem-se proteína, carboidratos, lipídios e fibras. Dentre os micronutrientes tem-se as vitaminas e os minerais.
  •  Onde encontrar esses nutrientes?
A obtenção varia de acordo com o nutriente: proteínas são encontradas em carnes, ovos, leite, peixe; carboidratos são encontrados em pães, massas em geral, arroz; lipídios são encontrados em gorduras vegetais e animais; fibras são encontradas nas frutas e nos vegetais. Sendo assim, quanto mais variada for a sua alimentação, melhor será a disponibilidade desses nutrientes no seu corpo.
  • Quais as funções desses nutrientes no nosso organismo?
De maneira geral, os nutrientes irão garantir o bom funcionamento dos órgãos do corpo e, assim, promover a homeostase. Como exemplo, pode-se citar os carboidratos que terão a função de fornecer energia, os lipídios irão constituir estruturas da membrana plasmática, as proteínas formarão anticorpos, as vitaminas podem servir para formar coenzimas, entre outras funções.

Com isso, sabemos de maneira geral como a alimentação influencia no bem-estar do organismo. Nas próximas postagens usaremos as ideias aqui introduzidas para entender melhor as políticas de segurança alimentar, tais como as políticas de combate à fome. Dúvidas e complementos acerca do assunto da postagem podem ser feitas nos comentários

Fontes: http://www.alimentacaosaudavel.org/Nutrientes.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Seguran%C3%A7a_alimentar
http://www2.ufpel.edu.br/iqg/db/Apresenta%E7%F5es_PPT/Textos%20Complementares/Vitaminas%20e%20Coenzimas.pdf

domingo, 22 de junho de 2014

Epidemia de cólera no sul do Brasil - Perigo Biológico

  Continuando o estudo sobre a segurança alimentar, trago hoje uma análise sobre um caso de cólera que aconteceu na cidade de Paranaguá (PR) no ano de 1999. Primeiramente, vamos explicar sobre as características dessa doença e o seu histórico no território brasileiro. A cólera é uma doença causada pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae), uma bactéria em forma de vírgula ou vibrião que se multiplica rapidamente no intestino humano produzindo uma potente toxina que provoca diarreia intensa. Ela afeta apenas os seres humanos e a sua transmissão é diretamente dos dejetos fecais de doentes por ingestão oral, principalmente em água e alimentos contaminados.
  No decorrer da sétima pandemia universal, iniciada em 1961, a cólera acabou por atingir o Brasil em abril de 1991, cerca de três meses após invadir a América do Sul através do Peru. Disseminando-se rapidamente pelas Regiões Norte e Nordeste, a doença parece ter se estabelecido de maneira permanente em extensas áreas do território brasileiro, alternando períodos de transmissão endêmica e epidemias de dimensões variáveis. De certa maneira, a cólera passou a constituir apenas mais uma doença associada às condições precárias de higiene e saneamento, característica de regiões tão pobres e desassistidas, que careciam até mesmo de abastecimento de água de boa qualidade. Por um raciocínio inverso, passou-se a aceitar que as áreas mais desenvolvidas do País estariam a salvo da doença, uma vez que as suas condições sanitárias ­ especialmente relacionadas à disponibilidade ampla de água potável ­ representariam uma barreira eficaz à disseminação do vibrião colérico.
  No entanto, esse raciocínio foi subitamente abalado no final de março de 1999, quando uma epidemia de grandes proporções foi identificada na cidade portuária de Paranaguá, escoadouro de parte considerável da produção de uma unidade federativa tida como das mais ricas do Brasil. Em pouco tempo, o número de casos elevou-se de maneira rápida, com dezenas de novos diagnósticos sendo realizados diariamente no início de abril.No total, foram registrados 466 ocorrências e três óbitos. Mas o que causou uma manifestação tão rápida da doença?
  Dentre os vários motivos estudados, as principais explicações para o aparecimento da doença na região apontam para o fluxo de caminhoneiros envolvidos no transporte da safra de soja, provenientes de áreas diversas do País, como o mecanismo responsável pela introdução do agente causal da cólera na cidade. Mas, existem outras possíveis explicações como uma eventual contaminação da região portuária por material jogado na baía pelos navios provenientes de áreas endêmicas e uma contaminação intensa pelo vibrião colérico do zooplâncton e de mariscos, de modo particular um molusco bivalve (Modiolus brasiliensis), popularmente conhecido como bacucu, o qual é bastante consumido pela população vizinha às áreas de mangue, praticamente sem qualquer cozimento.
  Sendo assim, a epidemia de cólera na região pôde ser associada à um perigo biológico que contaminou os alimentos da população. No entanto, pode-se fazer uma análise ainda mais profunda do ocorrido levando-se em conta as condições sociais da região. Apesar de a região sul ser conhecida como uma das mais ricas do Brasil, não convivem no Paraná apenas pessoas de condição social alta. Assim como em qualquer região do país, existem na cidade de Paranaguá uma presença direta de desigualdades sociais fortes: a uma curta distância do terceiro porto do país em movimento de cargas - Porto de Paranaguá - onde bilhões de dólares são movimentados anualmente em produtos de exportação, milhares de excluídos socialmente ocupam uma área invadida, praticamente dentro do mangue, sem qualquer serviço minimamente aceitável de escoamento e tratamento de esgoto. Nesse cenário, em tudo propício ao aparecimento de doenças de transmissão entérica, ocorre, nos períodos de safra, um intenso e rudimentar comércio de alimentos, frequentado por milhares de caminhoneiros, que permanecem às vezes por longos períodos no aguardo do descarregamento dos seus veículos.
  Desse modo, devemos refletir sobre as condições da segurança alimentar no nosso país: será que realmente as regiões mais ricas estão protegidas contra o proliferação de doenças, como a cólera, que podem ser evitadas com medidas de saneamento e de higiene? Existe uma barreira tão forte que separe a população rica - protegida das doenças - da população pobre - vulnerável às doenças? A segurança alimentar da população brasileira está realmente protegida uma vez que o Brasil avança cada vez mais economicamente e tecnologicamente?
  Com essas reflexões, chego ao fim da postagem. Dúvidas, comentário e opiniões acerca dessas reflexões podem ser feitas nos comentários.


Fontes: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X1999000200030&script=sci_arttext
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3lera

domingo, 8 de junho de 2014

Perigos Físicos: Abordagem geral e análise de suas origens

 Continuando a análise dos perigos à segurança alimentar, hoje vamos esclarecer um pouco mais sobre os perigos físicos. Como dito em postagens anteriores, os perigos físicos são caracterizados pela presença de corpos estranhos - vidro, pedra, parafusos, restos de animais - nos alimentos, mas esses perigos tem uma significância menor em termos de saúde pública em relação aos outros perigos. Esse menor significância ocorre, pois os perigos físicos, ao contrário dos perigos biológicos e químicos, não possuem uma capacidade de provocar problemas contagiosos a ponto de contaminar uma população, uma vez que os problemas associados a esse perigo estão mais vinculados à presença de objetos cortantes, asfixiantes e perfurantes e, de maneira geral, ocorrem em casos mais isolados dentro de uma população.
  No entanto, não é possível ignorar a existência desse perigo, pois eles podem provocar danos como cortes no aparelho intestinal pela presença de objetos cortantes e perfurantes, asfixia de crianças pela presença de plásticos, quebrar dentes pela presença de objetos duros, entre outras consequências.
 Mas como objetos como parafusos e até restos de animais podem chegar ao alimento comprado pelo consumidor? Para entender isso, vamos mostrar as principais origens dos perigos físicos:
a) Matérias-primas: podem arrastar consigo restos de restos de materiais (terra, pedaços de pedras, folhas, caules) durante a sua aquisição e levá-los consigo para as demais etapas da produção.
b) Materiais de embalagem: quando não são manuseados de maneira correta, podem acarretar no acúmulo de poeira e outros tipos de partícula na sua superfície que, posteriormente, podem entrar em contato com os alimentos ou com as matérias-primas envolvidas no processo de fabricação dos alimentos.
c) Instalações, equipamentos e utensílios: esses três devem estar em condições adequadas para resistir a impactos, aquecimento, corrosão, ou seja, resistir as etapas do processo de produção dos alimentos para evitar que materiais como tinta, ferrugem, poeira e restos de metais provenientes do local de produção possam se misturar aos alimentos.
d) Operadores: pode haver a possibilidade de contaminação por objetos - botões, cabelo, pedaços de jóias - provenientes dos próprios operadores da produção.

  Conhecidas as origens do problema e algumas de suas consequências, faremos uma análise agora da repercussão da identificação de uma contaminação por perigo físico. Quando o consumidor detecta um problema desse perigo no produto comprado, geralmente, tenta-se colocar a empresa fabricante na justiça para o devido ressarcimento dos danos. No entanto, é importante destacar a dificuldade de conseguir esse ressarcimento uma vez que é muito difícil comprovar a contaminação pelo objeto encontrado sem que hajam provas concretas dessa contaminação ou sem que haja alguém que sofreu danos diretos pelo consumo do alimento. Além disso, as multas aplicadas às empresas fabricantes, muitas vezes, são insignificante, não constituindo uma forma correta de punir os danos provocados por erros da própria empresa em garantir a qualidade dos seus produtos.

Chega ao fim mais uma postagem sobre segurança alimentar. Dúvidas, complementos e sugestões podem ser colocadas nos comentários.

Fontes: http://www.esac.pt/noronha/manuais/manual_4_perigos.pdf
http://economia.ig.com.br/empresas/2013-10-06/de-prego-a-barata-10-corpos-estranhos-ja-encontrados-em-marcas-famosas.html

domingo, 1 de junho de 2014

Agrotóxicos: conceitos,tipos, legislação e situação no Brasil

  Continuando a falar sobre os perigos associados à segurança alimentar, mostra-se hoje um perigo químico: o uso de agrotóxicos em alimentos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os agrotóxicos podem ser definidos como toda substância capaz de controlar uma praga que possa oferecer riscos à saúde da população ou ao meio ambiente. Em resumo, os agrotóxicos são usados objetivando impedir a ação de formas de vida vegetal ou animal que possam prejudicar a produção dos alimentos e constituir um problema para a população ou para a agricultura.
  Em relação à sua natureza química, os agrotóxicos podem ser classificados em dois grandes grupos: inorgânicos e orgânicos. O primeiro grupo tem sua composição química associada, principalmente, à presença de compostos inorgânicos, por exemplo, chumbo, cádmio, flúor, bário, entre outros. A principal desvantagem desse tipo de agrotóxico é sua bioacumulação: devido a sua constituição - na maioria das vezes - envolver elementos metálicos tem-se uma considerável estabilidade desses agrotóxicos e, consequentemente, longa persistência desses compostos no meio ambiente; fato que pode resultar em uma acumulação de agrotóxicos inorgânicos nos tecidos orgânicos e uma consequente intoxicação por esses produtos. O segundo grupo constitui o de maior uso na atualidade - principalmente os de origem sintética - e sua composição é marcada pela presença de cadeias de carbono. Existem várias subdivisões no grupo dos agrotóxicos orgânicos. Para efeitos de exemplificação, são apresentados a seguir três deles:   

  Falando agora sobre a legislação dos agrotóxicos no Brasil, a Lei de Agrotóxicos e Afins nº 7.802, de 11 de julho de 1989, estabelece que os agrotóxicos somente podem ser utilizados no país se forem registrados em órgão federal competente, de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos responsáveis pelos setores da saúde, do meio ambiente e da agricultura. Neste sentido, o Decreto nº 4.074, de 04 de janeiro de 2002, que regulamentou a Lei, estabelece as competências para os três órgãos envolvidos no registro: Ministério da Saúde (MS), através da ANVISA, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), através do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A ANVISA tem, entre outras competências, a de avaliar e classificar toxicologicamente os agrotóxicos, e juntamente com o MAPA, no âmbito de suas respectivas áreas de competência, de monitorar os resíduos de agrotóxicos e afins em alimentos de origem vegetal. A ANVISA estabelece o Limite Máximo de Resíduos (LMR) e o intervalo de segurança de cada ingrediente ativo (IA) de agrotóxico para cada cultura agrícola. 
  De acordo com o Art. 2º, inciso VI, do Decreto nº 4.074/02, cabe ainda aos três Ministérios, em suas respectivas áreas de competência, promover a reavaliação de registro de agrotóxicos, seus componentes e afins, quando surgirem novas informações que indiquem a necessidade de uma revisão de suas condições de uso e desaconselhem o uso dos produtos registrados; ou ainda, quando o país for alertado nesse sentido, por organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio ambiente, das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário de acordos. 
  Por fim, apesar de existir uma legislação bem definida para a fiscalização e para a utilização dos agrotóxicos, a presença de alimentos com irregularidades ainda é marcante. Em 2010, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) realizou coletas de 2488 amostras de alimentos - abacaxi, alface, tomate, arroz, entre outros - em várias regiões do Brasil. As imagens a seguir demonstram as principais conclusões da pesquisa: 


  Analisando a primeira e a segunda imagem, percebe-se que uma parcela significativa dos alimentos observados na pesquisa - 63% -  apresentou resíduos de agrotóxicos (de forma satisfatória ou não), fato que demonstra a força da utilização de agrotóxicos na agricultura e a dificuldade dos agrotóxicos, em geral, se degradarem. Além disso, analisando a terceira imagem, percebe-se que, nos alimentos irregulares, houve a detecção de agrotóxicos orgânicos do grupo dos organofosforados principalmente. É importante ressaltar os perigos dessa presença majoritária de organofosforados: apesar de, como dito anteriormente, ser um composto biodegradável, a degradação desses compostos através de uma oxidação pode gerar compostos que são nocivos para a saúde. Como exemplo, existe o organofosforado parationa que, por meio da oxidação das suas ligações tiofosfato (P=S) a ortofosfato (P=O), forma um novo composto chamado paraoxona que contribui para a inibição da enzima acetilcolinesterase. Essa inibição provoca elevação dos níveis de acetilcolina que pode provocar uma síndrome colinérgica aguda, caracterizada pelo surgimento de sinais e sintomas muscarínicos, nicotínicos e no sistema nervoso central. Informações mais aprofundadas sobre a intoxicação por organofosforados serão disponibilizadas nas fontes no final da postagem.
  Essa foi uma análise geral dos agrotóxicos, desde a sua composição química até o cenário brasileiro nessa questão. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários e nas próximas postagens será dado continuidade aos principais perigos à segurança alimentar no Brasil.


Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Agrot%C3%B3xico
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/pesticidas/article/view/35002/22024
http://pt.wikipedia.org/wiki/Inibidor_da_acetilcolinesterase
http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/55b8fb80495486cdaecbff4ed75891ae/Relat%C3%B3rio+PARA+2010+-+Vers%C3%A3o+Final.pdf?MOD=AJPERES
http://www.sederural.com.br/engambiental/mpss/agrotoxicos_monit.pdf

Informações sobre intoxicação por organofosforados: 
http://www.spmi.pt/revista/vol06/vol6_n2_1999_088-091.pdf

domingo, 25 de maio de 2014

Introdução à Segurança Alimentar e Caso de Perigo Biológico no Maranhão

  Segurança alimentar é, atualmente, definida pelo artigo nº 3 da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) como: "a segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis." (Link para acesso completo da Lei será colocado no final da postagem).
  Sendo assim, podemos entender a segurança alimentar não apenas sob o aspecto de acabar com a fome ou de manter a qualidade dos alimentos, mas sim a partir da união de várias dimensões relacionadas à produção, ao acesso, à comercialização e ao consumo de alimentos, considerando os fatores que influenciam na disponibilidade e qualidade dos alimentos.
  Com base nessas ideias, é importante destacar e classificar quais os possíveis perigos que podem trazer alguma ameaça à segurança alimentar de uma população. Esses perigos podem ser classificados como: biológicos, físicos e químicos. O primeiro diz respeito à contaminação de alimentos por microrganismos (protozoários, fungos, bactérias e vírus). O segundo trata da presença de corpos estranhos (pedaços de metal, vidro, borracha e plástico; areia, pedras) nos alimentos. O terceiro trata da contaminação dos alimentos por substâncias químicas que não fazem parte dos ingredientes do alimento e que podem provocar irritação ou intoxicação (exemplos são agrotóxicos, antibióticos, metais pesados, óleos lubrificantes).
  Iniciando uma análise dos tipos de perigos à segurança alimentar, apresenta-se um caso recente de surto de Beribéri que ocorreu no Maranhão no ano de 2006. A beribéri é uma doença causada, entre outros fatores, pela carência de tiamina ou vitamina B1 e tem como alguns de seus sintomas fraqueza muscular, batimentos cardíacos acelerados, respiração acelerada e confusão mental. Mas qual a relação desse surto com a segurança alimentar? A relação está justamente no consumo de alimentos da população maranhense, mais precisamente no consumo de arroz. Apesar do arroz participar de maneira fundamental na dieta da região, o armazenamento do produto era feito de forma desorganizada e precária:


  Essas condições de armazenamento garantiram situações de temperatura, umidade e fornecimento de energia suficientes para a reprodução de fungos como o Penicillium citreonigrum. Esse fungo produz uma micotoxina chamada Citreoviridina que atua na inibição da absorção da vitamina B1. A inibição ocorre, pois a citreoviridina atua sobre enzimas envolvidas no metabolismo das pentoses-fosfato - as chamadas transcetolases - que necessitam de tiamina pirofosfato (TPP) - uma coenzima derivada da tiamina -  para algumas de suas reações. Essa inibição, portanto, retarda toda a via das pentoses-fosfato e pode resultar em beribéri:
    O problema de beribéri do Maranhão teve , de 2006 a 2008, 1.207 casos da doença registrados e 40 óbitos, destacando a gravidade da situação. A doença tenta ser controlada através de medidas como a substituição do arroz, preparo de cartilhas e guias, como o guia de assistência e atenção nutricional aos casos de beribéri (Ministério da Saúde, 2012) e o guia de Boas Práticas Agrícolas (BPA) na cadeia produtiva do arroz produzido pelos pequenos agricultores do Maranhão (OPAS, 2009), porém os casos de beribéri continuam sendo notificados na região. Revela-se, portanto, a importância dos cuidados com a segurança alimentar e, também, a grande dimensão das consequências que um perigo biológico - presença de fungos no arroz -  pode acarretar em uma sociedade.
  Nas próximas postagens será dado continuidade à análise de casos envolvendo perigos (biológicos, físicos ou químicos) à segurança alimentar. Dúvidas e observações podem ser feitas nos comentários.

Fontes de pesquisa: http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/13792/1/2013_MarianaWagnerdaRocha.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Berib%C3%A9ri
http://pt.wikipedia.org/wiki/Seguran%C3%A7a_alimentar#HACCP-_Hazard_Analysis_and_Critical_Control_Points
http://www.slowfoodbrasil.com/textos/noticias-slow-food/391-poltica-nacional-de-segurana-alimentar-e-nutricional--o-que-todos-ns-temos-a-ver-com-isso-i

Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional: http://www.mds.gov.br/acesso-a-informacao/legislacao/mds/leis/2006/Lei%20no%2011.346-%20de%2015%20de%20setembro%20de%202006.pdf
  


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Os efeitos de uma dieta gordurosa

 Doenças cardiovasculares, câncer e diabetes - exemplos das chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) -  estão entre as dez principais causas de morte no mundo no ano de 2011. Teriam essas doenças alguma relação com a forma como nos alimentamos? Se sim, qual seria essa relação?
  Paralelamente ao que ocorre no mundo, as DCNTs apresentam, no Brasil, grande relação com as taxas de mortalidade: 
 Coincidentemente - ou não - o Brasil é caracterizado pelo grande consumo de alimentos como biscoitos, pães, frituras, refrigerantes e carne vermelha ricos em gorduras e em açúcares . Esse consumo faz com que no organismo dos brasileiros, em geral, exista um excesso de gorduras saturadas e de glicose, a partir das quais surge a chamada resistência à insulina. A resistência à insulina consiste na dificuldade do hormônio insulina de realizar o seu papel de transporte de glicose para o interior das células de diferentes órgãos e tecidos do corpo humano. 
  Mas como um organismo poderia tornar-se resistente à insulina? Pesquisas demonstram que uma dieta rica em gorduras saturadas provoca a ativação da TLR-4 (proteína existente na membrana celular). A ativação dessa proteína induz uma inflamação nos neurônios da base do hipotálamo responsáveis por controlar a fome e, também,  uma maior produção de três enzimas - a iNOS, a JNK e IKK-beta - que impedem o funcionamento adequado da insulina . Em virtude disso, os níveis de glicose no sangue serão aumentados e surgirá uma espécie de círculo vicioso: a glicose no sangue continua a estimular a produção de insulina pelo pâncreas, mas essa produção não será identificada pelo hipotálamo, que eleva a liberação de dois hormônios (a orexina e hormônio concentrador de melanina) que aumentam a fome e diminuem o gasto de energia . O resultado desse processo todo é a danificação de células do fígado, dos vasos sanguíneos e dos nervos, bem como do surgimento de uma tendência do organismo em acumular o excesso de glicose no tecido adiposo - caracterizando o aumento de peso.
  Portanto, a ingestão de alimentos ricos em gorduras acarreta no aumento de peso e pode provocar a obesidade. Mas não para por aí: a resistência à insulina associada à obesidade também estimula o surgimento, especialmente, da diabetes tipo 2 - na qual o indivíduo produz a insulina mas não é capaz de utilizá-la corretamente. Além disso, o excesso de insulina no sangue proveniente da resistência à insulina também promove o crescimento de tumores e, por isso, estabeleceria uma relação com o câncer. Essa relação foi estudada através de um experimento, em Campinas, com dois grupos de camundongos: os dois grupos receberam injeções com células cancerígenas; um deles consumiu uma alimentação rica em gordura enquanto o outro recebeu uma dieta mais balanceada. No final, os que se fartaram com gordura se mostraram 50% mais suscetíveis a desenvolver tumores, e seus tumores eram 1,5 vez maior.
  Constata-se assim que existe uma profunda relação entre uma dieta alimentar gordurosa, adotada em países como o Brasil, e as DCNTs. Destaca-se, ainda, a importância de conhecer os processos bioquímicos envolvidos na relação mostrada, visto que é através do conhecimento bioquímico que é possível entender a interação entre a gordura e as DCNTs e elaborar possíveis métodos que ajudem a tratar essas doenças. Um exemplo disso está em uma pesquisa realizada pela Unicamp. Nessa pesquisa, a partir do conhecimento da inflamação nos neurônios causada pela ativação da proteína TLR-4, foram descobertos mecanismos de reverter tal inflamação: a prática de exercícios físicos e o uso de ácidos graxos insaturados. No primeiro, observou-se que a realização de exercícios aumentava, em camundongos, a produção de proteínas anti-inflamatórias, chamadas de interleucinas, que ajudariam a reverter a inflamação nos neurônios do hipotálamo. No segundo, observou-se que os ácidos graxos insaturados revertiam a inflamação provocada pelas gorduras saturadas em função das diferentes estruturas espaciais dessas substâncias (os ácidos graxos insaturados são curvos graças a presença de ligações duplas e os saturados são alongados).

Fontes: http://www.news.med.br/p/saude/367834/oms+divulga+as+dez+principais+causas+de+morte+no+mundo+de+2000+a+2011.htm
http://download.thelancet.com/flatcontentassets/pdfs/brazil/brazilpor4.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102013000700005
http://revistapesquisa.fapesp.br/2007/10/01/dieta-de-alto-risco/
http://revistapesquisa.fapesp.br/2009/02/01/gordura-atrai-gordura/
http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/07/044-049-173.pdf